A Bacia de Campos voltou ao centro dos investimentos da indústria brasileira de petróleo. A Petrobras arrematou 12 blocos exploratórios por R$ 2,97 bilhões em bônus de assinatura no 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão, realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). As áreas foram adquiridas pela estatal sem sócios e poderão abrir novas frentes de exploração e produção nos próximos anos.
Quatro blocos concentraram praticamente todo o valor. A Petrobras ofereceu R$ 754,2 milhões por cada um dos blocos C-M-115 e C-M-161 e cerca de R$ 629 milhões por C-M-163 e C-M-216. Juntos, eles representam R$ 2,77 bilhões dos recursos comprometidos pela companhia na Bacia de Campos. O ágio sobre os valores mínimos estabelecidos no edital variou entre 17.821% e 21.026% nessas quatro áreas.
Os outros oito blocos adquiridos pela estatal — C-M-111, C-M-113, C-M-159, C-M-165, C-M-214, C-M-281, C-M-283 e C-M-352 — somaram outros R$ 200,5 milhões em bônus.
Perspectiva para Campos
Para Campos e outros municípios produtores, a importância do resultado vai além do valor pago no leilão. Caso as campanhas exploratórias encontrem petróleo ou gás em quantidade comercialmente viável, os projetos poderão avançar para a etapa de desenvolvimento da produção, movimentando novamente a cadeia de óleo e gás da região.
Segundo o subsecretário municipal de Energia e Inovação e secretário-executivo da Ompetro, Marcelo Neves, os blocos poderão ter confrontação futura com Campos caso sejam encontrados hidrocarbonetos. A estimativa apresentada pelo município é de que o caminho entre a exploração e resultados comercialmente aproveitáveis possa levar, em média, de quatro a seis anos, dependendo das características das áreas e da proximidade da infraestrutura de produção já existente.
Esse processo pode significar demanda futura para fornecedores, empresas de serviços offshore, logística, manutenção, indústria e mão de obra especializada no Norte Fluminense. Também pode produzir reflexos na arrecadação de royalties caso as áreas avancem efetivamente para produção e tenham confrontação com os municípios da região.
O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação, Felipe Knust, avaliou que o volume de recursos comprometido pela Petrobras reforça a posição estratégica da Bacia de Campos, apesar da maturidade de diversos campos produtores.
O resultado também ocorre num momento em que os municípios produtores acompanham a discussão sobre a distribuição dos royalties do petróleo no Supremo Tribunal Federal. A Ompetro mantém mobilização contra mudanças consideradas prejudiciais aos atuais municípios produtores.
Apesar da perspectiva econômica, os R$ 2,97 bilhões não representam investimento direto no município de Campos. O valor corresponde aos bônus de assinatura assumidos pela Petrobras para obter os direitos exploratórios. Empregos, produção e novas receitas dependerão do sucesso da exploração e do desenvolvimento comercial das áreas.
Fontes: Prefeitura de Campos e ANP.




