Enquanto grandes centros investem em estruturas cada vez mais grandiosas, Italva mantém viva uma das expressões mais tradicionais do Carnaval popular: os bois pintadinhos. No distrito de São Pedro do Paraíso, o Boi Malandro se consolidou como símbolo cultural do município e referência de tradição no Noroeste Fluminense.
A manifestação integra o calendário cultural de Italva e representa um modelo de Carnaval marcado pela simplicidade e pelo vínculo com a história local. A cada apresentação, o boi reafirma uma tradição que atravessa gerações e mantém viva a identidade do distrito.
Neste ano, o Boi Malandro levou o nome de Italva para o Carnaval de rua de São João do Paraíso, em Cambuci, com apresentações no sábado e na segunda-feira, a convite do Bloco Suvaco de Cobra. A participação amplia a presença da cultura italvense no cenário regional e reforça o intercâmbio entre municípios do Noroeste Fluminense.
Em 2024, o grupo foi contemplado com recursos da Lei Aldir Blanc, política pública de incentivo à cultura que fortaleceu as atividades desenvolvidas em São Pedro do Paraíso. A organização informou que pretende participar novamente do edital quando houver nova abertura.
Além da dimensão festiva, o Boi Malandro também carrega uma narrativa ligada à própria formação do distrito. São Pedro do Paraíso viveu um período de intenso movimento econômico na época da antiga usina, quando o apito marcava o ritmo do trabalho e a localidade fervilhava de gente e oportunidades. Com o encerramento das atividades, parte da população seguiu outros caminhos, mas a tradição permaneceu.
O Boi Malandro atravessou esse tempo. Tornou-se símbolo de quem ficou, de quem resistiu e manteve viva a memória de um lugar que já foi centro de trabalho e prosperidade. Hoje, mais do que personagem carnavalesco, o boi representa a continuidade cultural de um distrito que preserva suas raízes.
No Noroeste Fluminense, Italva reafirma seu papel na valorização das manifestações populares do interior. E em São Pedro do Paraíso, o Boi Malandro segue dançando, como expressão de identidade, tradição e resistência.
Redação Norte+










