Estudos alertam para aumento da perfuração de poços profundos no Norte Fluminense
Pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) chamam atenção para os riscos que ameaçam o Aquífero Emborê, considerado a maior reserva de água subterrânea do Estado do Rio de Janeiro e um dos principais patrimônios geológicos do Norte Fluminense.
Localizado no subsolo da região de Campos dos Goytacazes e municípios vizinhos, o aquífero possui água formada há cerca de 20 mil anos, classificada pelos pesquisadores como uma espécie de “paleoágua” — água subterrânea muito antiga, acumulada em formações geológicas profundas.
Segundo a geóloga Maria da Glória Alves, professora do Laboratório de Engenharia Civil da UENF, a utilização crescente desse recurso tem ocorrido sem que haja um conhecimento científico completo sobre a real capacidade de recarga do sistema subterrâneo.
De acordo com a pesquisadora, períodos prolongados de estiagem na região reduziram significativamente os níveis do Rio Paraíba do Sul, levando ao aumento da perfuração de poços profundos e da exploração das águas subterrâneas, especialmente no aquífero Emborê.
Estudos realizados por pesquisadores da UENF, UFRJ e outras instituições analisaram características geológicas e hidroquímicas do sistema, incluindo levantamentos petrofísicos, geofísicos e hidrogeológicos que permitiram mapear a estrutura do aquífero e suas reservas de água.
Apesar dos avanços científicos, os especialistas afirmam que ainda há incertezas sobre a capacidade de recarga natural do aquífero, já que se trata de um sistema confinado, no qual a reposição da água ocorre de forma lenta e limitada.
Para os pesquisadores, a ampliação da exploração sem planejamento pode comprometer um recurso considerado estratégico para o abastecimento de água no futuro.
“É necessário continuar os estudos para determinar com precisão a disponibilidade hídrica do Aquífero Emborê e suas reservas exploráveis, pois é preciso garantir água para a população do futuro”, afirma a geóloga.
Os cientistas também destacam que o crescimento de atividades econômicas na região, como o setor de óleo e gás, o Porto do Açu e o agronegócio, aumenta a pressão sobre os recursos hídricos e reforça a necessidade de planejamento e gestão sustentável da água subterrânea.
O tema já havia sido apontado no Plano Estadual de Recursos Hídricos do Rio de Janeiro, que recomenda aprofundar estudos sobre o potencial hídrico do Norte Fluminense e implementar políticas de proteção para garantir a segurança hídrica da região.
Fonte Redação Norte+











