Paralisação cobra recomposição salarial após anos de perdas e expõe crise nas universidades estaduais
Docentes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro entraram em greve após assembleia realizada na quarta-feira (25), no campus Maracanã. A decisão foi tomada diante da cobrança por recomposição salarial e melhores condições de trabalho, após anos sem reajustes compatíveis com a inflação.
Além de aprovar a paralisação, a categoria definiu uma agenda de mobilização. Estão previstas plenárias nas unidades, nova assembleia na Capela Ecumênica e atos públicos no entorno da universidade. Um dos principais está marcado para o dia 1º de abril, na Secretaria de Ciência e Tecnologia.
O encontro teve início com uma homenagem à professora Cleier Marconsin, referência histórica do movimento docente, falecida na véspera. Em seguida, os professores discutiram a organização da greve e os próximos passos.
A paralisação ocorre em meio a um cenário de desgaste acumulado. Entre as principais queixas estão a defasagem salarial, a falta de valorização da carreira e problemas estruturais que afetam diretamente o ensino, a pesquisa e a permanência de profissionais qualificados.
A recomposição salarial concentra as reivindicações. Segundo a categoria, os reajustes concedidos nos últimos anos não foram suficientes para acompanhar a inflação, resultando em perda de poder de compra.
O movimento também reflete um quadro mais amplo de desvalorização do ensino superior estadual, com críticas à ausência de políticas efetivas de fortalecimento das universidades.
Esse cenário não se restringe à Uerj. Em outras instituições estaduais, a discussão sobre perdas salariais se arrasta há anos sem solução e agora chega ao limite, com indicativo de ampliação do movimento.
Na Universidade Estadual do Norte Fluminense, docentes já discutem a possibilidade de paralisação. Um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos aponta que seria necessário um reajuste de 64,6% para recompor as perdas acumuladas entre 2014 e 2025.
O levantamento indica ainda que, apenas pela inflação no período, a defasagem chega a 39,25%, evidenciando o impacto da ausência de reajustes ao longo dos anos.
Parte dessas perdas poderia ter sido compensada por medidas já previstas. Uma delas é a recomposição salarial estabelecida por lei estadual, que determinava o pagamento parcelado da inflação acumulada entre 2017 e 2021. No entanto, apenas a primeira parcela foi paga, enquanto as demais ficaram pendentes.
Outra medida considerada fundamental é a atualização do Plano de Cargos e Vencimentos, aprovado internamente em 2021, mas que ainda não avançou para votação na Assembleia Legislativa.
Sem a recomposição e sem a atualização da carreira, docentes relatam aumento das distorções dentro do sistema estadual. Em alguns casos, professores em início de carreira recebem mais do que profissionais mais antigos.
A situação também levanta preocupação sobre a capacidade das universidades de atrair e manter profissionais qualificados. Com salários defasados e perda de direitos, cresce o risco de evasão de pesquisadores.
Com a paralisação já em curso na Uerj e o avanço das discussões em outras instituições, a pressão sobre o governo estadual aumenta diante do quadro de perdas salariais e desvalorização dos docentes das universidades estaduais do Rio de Janeiro.


















