Por Jane Nunes
Eu não escondo de ninguém: detesto o governo atual da Argentina com a mesma intensidade que amo a Mafalda. Mas não admito verdades ditas pela metade.
O Quino foi um bravo guerreiro, um gênio romântico, e cumpriu sua palavra: enquanto viveu, manteve a fidelidade à Ediciones de la Flor. Era uma questão de afeto e história. Mas o tempo passou, o mundo mudou e a editora não se modernizou.
O que vemos hoje é uma tragédia em duas partes:
Podemos, sim, lamentar o fim de uma editora histórica, sufocada por uma crise econômica severa e pela falta de adaptação ao novo século.
Mas não se enganem: a Mafalda não está morrendo. Ela está crescendo! Ao migrar para um grupo global, ela garante que continuará sendo lida por novas gerações, em todos os cantos do planeta.
A mudança de editora da Mafalda, anunciada pelos herdeiros de Quino (Joaquín Salvador Lavado Tejón) em julho de 2025, e a transferência dos direitos para o selo Sudamericana, parte do conglomerado Penguin Random, foi um avanço significativo, permitindo o lançamento de Mafalda nos Estados Unidos pela editora Drawn & Quarterly.
Mafalda já foi traduzida para mais de 25 idiomas, com edições adicionais planejadas pela Elsewhere Editions. É provavelmente a primeira personagem progressista capaz de enfrentar o Trump sem medo.
Em 2027, a Netflix lança uma nova série animada de Mafalda, dirigida por Juan José Campanella, marcando uma modernização da personagem no formato audiovisual.
Choremos a morte da De la Flor, mas Mafalda é muito maior que Milei!
O debate cultural fica pobre quando vira apenas briga de torcida. É possível ser oposição ferrenha e, ainda assim, entender que uma decisão de gestão não é um “assassinato” político.
A Mafalda sempre nos ensinou a olhar as contradições do mundo de frente. Que a gente aprenda com ela a não aceitar narrativas rasas. 💡🇦🇷


















