Estudo aponta necessidade de inovação, sustentabilidade e estratégia para ampliar ganhos
O Brasil segue como líder mundial na produção e exportação de café, mas especialistas alertam que o país precisa avançar em estratégia, inovação e agregação de valor para manter e ampliar sua posição no mercado internacional.
O tema foi discutido em seminário da Embrapa, que reuniu pesquisadores e representantes do setor para analisar os desafios e oportunidades da cafeicultura brasileira.
Dados apresentados no estudo mostram que a produção global de café cresceu de cerca de 8,5 milhões para 11,6 milhões de toneladas entre 2010 e 2024. No mesmo período, o consumo mundial também avançou, com alta de aproximadamente 44%.
Mesmo com a liderança, o Brasil ainda enfrenta desafios de produtividade. A média nacional é de cerca de 1.752 kg por hectare, abaixo de países como Vietnã e China, que superam os 3 mil kg/ha.
Segundo os pesquisadores, o aumento da produtividade depende de fatores como inovação tecnológica, adaptação genética e uso mais eficiente de dados no campo.
Entre as estratégias apontadas estão o uso de inteligência artificial, agricultura de precisão e automação, além da ampliação de sistemas produtivos mais sustentáveis.
Outro ponto destacado é a necessidade de diversificar a produção, com maior investimento no café canéfora, considerado mais resistente às mudanças climáticas e com maior potencial produtivo.
Apesar da liderança em volume, o Brasil ainda enfrenta dificuldades para agregar valor ao produto. Enquanto o café brasileiro é exportado por cerca de US$ 1,58 por quilo, países europeus chegam a comercializar o produto por valores até 22 vezes maiores.
Esse cenário revela um dos principais gargalos do setor: a dependência de exportação de matéria-prima com baixo valor agregado.
Especialistas defendem que o país avance na produção de café torrado, moído, solúvel e derivados, além de explorar novos mercados consumidores, como China, Coreia do Sul e Turquia.
O comércio digital também surge como oportunidade, permitindo a venda direta ao consumidor internacional e maior valorização do produto brasileiro.
No cenário interno, a produção segue concentrada na região Sudeste, responsável por mais de 80% do total, com destaque para Minas Gerais.
O café também tem forte impacto na economia. Em 2025, o produto contribuiu com cerca de US$ 15 bilhões para o superávit da balança comercial do agronegócio brasileiro.
Apesar dos desafios logísticos e da instabilidade internacional, especialistas apontam que o Brasil ainda possui vantagem competitiva no setor — mas precisa transformar volume em valor para sustentar o crescimento no longo prazo.
Fonte: Agência Brasil


















