O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL-RJ), renunciou ao cargo nesta segunda-feira (23), na véspera da retomada do julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o caso Ceperj, que pode torná-lo inelegível por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
A decisão foi comunicada a aliados durante uma cerimônia no Palácio Guanabara, sede do governo. Castro, que pretende disputar o Senado em 2026, precisava deixar o cargo até o início de abril para se tornar elegível, mas antecipou a saída. Segundo interlocutores, a estratégia busca esvaziar o processo no TSE e evitar a cassação do mandato.
“Hoje eu encerro o meu tempo à frente do governo do estado. Vou em busca de novos projetos. Sou pré-candidato ao Senado. Saio de cabeça erguida e de forma grata”, afirmou.
Sem vice-governador e com o presidente da Assembleia Legislativa afastado, a linha sucessória levou o comando do estado ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, que assume interinamente. Pela legislação, ele deverá organizar uma eleição indireta na Alerj para a escolha do governador que cumprirá o restante do mandato.
Em um pronunciamento sem espaço para perguntas, Castro fez um balanço da gestão, relembrou sua chegada ao governo em 2019, após o impeachment de Wilson Witzel, e destacou a reeleição em 2022. Também fez críticas indiretas ao antecessor e comentou o cenário político atual.
O governador afirmou ainda que retorna à advocacia e evitou tratar diretamente do julgamento no TSE. Durante a fala, também rebateu críticas do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD), que o acusou de “fugir da justiça” com a renúncia.
A cerimônia reuniu aliados políticos, entre eles o ex-secretário de Cidades, Douglas Ruas, pré-candidato do PL ao governo, e o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), cotado para disputar o Senado. Deputados da base também estiveram presentes.
Castro também mencionou ações de sua gestão na área de segurança pública, como a operação no Complexo da Penha e a Operação Barricada Zero, e associou a repercussão dessas iniciativas à decisão de disputar o Senado.
O julgamento no TSE envolve acusações do Ministério Público Eleitoral de uso da máquina pública por meio da Fundação Ceperj e da Uerj para contratação irregular de cabos eleitorais. A ação também inclui o ex-vice-governador Thiago Pampolha, atualmente conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
A renúncia ocorre antes da conclusão do julgamento, mas não impede que Castro venha a ser declarado inelegível.
Fonte: O Globo


















